sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Preservando nosso manto

Publicamos abaixo um artigo, bem escrito, da Máquina do Esporte.

Trata da banalização que acontece hoje em dia nas camisas de nossos rivais. Eu entendo que nossa camisa está a salvo, as marcas Samsung e FastShop já ocupam de forma bem aceitável nosso uniforme (ainda bem que Unimed não entrou).
Em todo caso, continuemos observando e cuidando para que nossa diretoria não entre nessa onda de quanto mais patrocínio melhor. Pelo menos não no nosso manto.

Artigo: banalização das camisas

MARCUS DUARTE Da Máquina do Esporte, no Rio de Janeiro

A camisa oficial é a propriedade de visibilidade mais valiosa que o clube possui. É por ela que o mercado trava verdadeiras batalhas na busca de conseguir estampar suas marcas naquele espaço mágico, visto por milhões de pessoas nos estádios e nas TVs pelo mundo, procurando sempre pagar aos clubes o valor "justo". A camisa oficial desperta também o desejo de consumo em milhões de torcedores, que fazem de tudo para terem em seu guarda-roupas a camisa do clube de coração.

Há pouco mais de 20 anos, as empresas de material esportivo passaram a lançar anualmente novos modelos de uniformes oficiais, objetivando estimular o consumo de camisas, onde ganhava a empresa e o clube, com o pagamento dos royalties a que tinha direito.

O consumidor, que fazia um esforço danado para comprar a camisa "do ano", via no ano seguinte um novo modelo exibido nas lojas e passava a se perguntar: Por que mudar tanto o modelo da camisa? Será que terei que comprar a cada ano uma nova camisa?

Esse preâmbulo nos dá uma noção da batalha que já é travada no dia-a-dia com os novos modelos de camisas lançadas. Como se isso não bastasse, de cinco anos pra cá, passamos a presenciar um outro fenômeno: o marketing de oportunidade sendo aplicado nos uniformes de clubes da elite do futebol brasileiro.

É perfeitamente natural e explicável estampar uma marca no uniforme de um clube pequeno ou médio, que não possua um trabalho de marketing estruturado e que, por circunstâncias de momento, realiza uma partida contra um grande clube. Para isso esse clube recebe uma quantia em dinheiro que, para seu tamanho, é bastante satisfatória.

Já um clube grande, que tem uma estrutura de marketing, com capacidade de se planejar, montar projetos estruturados, ir a mercado e negociar com patrocinadores contratos de médio e longo prazos, recorrer a essa ciranda do marketing de oportunidade é inadmissível.

Negociar mangas de camisas por jogo, frente/costas por um período curto de 3 meses, trocando em seguida por outra marca ou mantendo o uniforme liso demonstra falta de planejamento, de entendimento das conseqüências que estas mudanças podem acarretar tanto para o clube como para a empresa de material esportivo.

Certamente ambos perdem receitas expressivas na venda de camisas oficiais. O torcedor compraria uma camisa oficial se soubesse que aquela marca X ficaria estampada só por 3 meses ou ainda que a marca que existe na manga da camisa naquela rodada não mais seria exibida na seguinte? Ele pagaria o "valor cheio" dessas camisas, que gira hoje entre R$ 150 e R$ 170 ?

Já fizeram uso de tal expediente o Vitória, da Bahia, que anos atrás adotou tal estratégia, no fim da gestão Paulo Carneiro, ou o Vasco da Gama, em 2009, antes de a Eletrobrás assinar contrato. O Corinthians no início da era Ronaldo, em 2009, ou o Flamengo, que teve duas marcas estampadas no peito em 6 meses. O caso atual envolve o Santos, que a cada jogo negocia com uma marca diferente suas propriedades comerciais. Nada contra termos mais de uma marca no uniforme, mas que esta relação comercial tenha uma duração de pelo menos um ano.

Imaginem o trabalho que as lojas, muitas vezes parceiras das empresas de materiais esportivos e dos clubes, tem ao definirem que camisa e em qual quantidade deverão ser adquiridas para abastecerem o mercado?

Aos grandes clubes de futebol do Brasil, faço um apelo.

Preservem a mais valiosa de todas as suas propriedades. Não tornem ainda mais imediatista e curta a sua relação com seus clientes/storcedores. Planejem seus movimentos, meçam as conseqüências.

*Marcus Duarte é consultor de marketing esportivo, com passagens como Gerente de Marketing do C.R. Flamengo, C.R. Vasco da Gama e do Vitória S.A.

4 comments:

Dário 27 de fevereiro de 2010 12:17  

Do jeito que os "grandes dirigentes" do futebol Brasileiro dirigem os clubes,o futuro é esse!

Antes visto só em times pequenos, onde colocovam 5 ou mais patrocinios na camisa,vai ficar cada vez mais comum nos times grandes.

A camisa vai se transformar em um abadá,com vários patrocinios e pelos valores que estão pagando em cada pedaço da camisa é impossivel não aceitar.

Infelizmente o Palmeiras vai ser um desses,aliás,só não é ainda porque a Samsung tem exclusividade na camisa,mais assim que sair tenho quase certeza de que vão vir vários patrocinios...e como falei anteriormente, é uma bolada de dinheiro que oferecem,dai é impossivel dizer não.

GuilhermeOffspring 1 de março de 2010 14:16  

Bom texto! Aliás, esse texto me fez lembrar as camisas do Palmeiras/Rhumell do segundo semestre de 1999 ao primeiro de 2001. Usamos 4 modelos (isso contando somente a camisa verde) num periodo tão curto! Praticamente 1 camisa para cada semestre...

Mas espero que a camisa do Palmeiras não fiquei igual a do Corinthians paracendo um álbum de figurinhas! Eu também estou satisfeito com a Samsung e a Fast Shop.

Um abraço!

Tiago 4 de março de 2010 19:32  

Eu espero q jamais o SEP se prostitua como os gambás fizeram! Jamais!

Não tem dinheiro no mundo q valha isso!

Isso é coisa de timeco

Celso 14 de março de 2010 03:37  

tudo bem que todo time precisa de grana, mas lotear a camisa é um atentado a história do clube. a camisa do corintians esta simplesmente ridicula, ainda mais com o ronaldo e sua barriga enorme, e a verdadeira antipropaganda!! no palestra nunca!

Este blog é dedicado à camisa do Palmeiras, ao manto sagrado verde do Palestra Italia. Maglia verde quer dizer manto verde em italiano, capisce?

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